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Vitimismo pós-divórcio: quando culpar o ex vira desculpa pra não crescer

  • Foto do escritor: Ana  Olliveira
    Ana Olliveira
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Depois de um término, muita gente sente medo, raiva, frustração e insegurança. É humano. O problema começa quando esses sentimentos viram uma identidade — e a pessoa passa a organizar a vida inteira em torno de uma narrativa: “eu sou a vítima, o outro é o culpado, e por isso eu não consigo caminhar.”

Em vez de reconstruir a própria autonomia, a pessoa se prende ao passado, ao ex, e transforma o divórcio numa espécie de “prova eterna” de que a vida não anda porque alguém “estragou tudo”.


A vitimização como desculpa confortável

Existe uma diferença grande entre sofrer e viver de sofrimento.

  • Sofrer é passar por um luto e procurar se reerguer.

  • Viver de sofrimento é usar o luto como justificativa permanente para não fazer escolhas difíceis.

A vitimização crônica costuma aparecer em frases como:

  • “Eu poderia ter sido alguém, mas me tiraram isso.”

  • “Se eu não tivesse passado por aquilo, minha vida seria perfeita.”

  • “Agora eu dependo mesmo, não tem jeito.”

No fundo, isso cria um ganho oculto: se a culpa é sempre do outro, eu não preciso mudar nada. E mudar dá trabalho, dá medo e exige assumir riscos.


Dependência que vira prisão (inclusive financeira)

Quando a pessoa se acostuma a depender do ex para tudo — desde decisões simples até gastos básicos — ela perde duas coisas essenciais:

  1. Autonomia prática: aprender a resolver, se organizar, trabalhar, estudar, planejar.

  2. Autonomia emocional: entender que “preciso do outro” não é amor, é apego.

A dependência financeira pode existir por motivos reais (filhos, acordos, dificuldades do mercado). Mas também pode virar um hábito: “é mais fácil pedir do que construir”. E aí a vida vai ficando pequena, limitada, sempre esperando o ex “autorizar” a sobrevivência.

Isso é muito perigoso porque cria uma relação de “cordão umbilical” depois do término. E, quanto mais tempo passa, mais a pessoa se ressente, acusa, se amarga — e menos faz por si.


O papel que ninguém enxerga: responsabilidade pessoal

Não existe reconstrução sem responsabilidade.

Responsabilidade não é “assumir culpa” por tudo. É reconhecer:

  • O que eu escolhi.

  • O que eu permiti.

  • O que eu posso fazer agora.

  • O que eu vou parar de repetir.

Quando a pessoa não assume responsabilidade, ela fica presa num ciclo:dependência → ressentimento → acusações → mais dependência.

O ex vira ao mesmo tempo “vilão” e “muleta”. E isso destrói qualquer chance de paz.


O mito da vida “que eu abdiquei”

Em muitos relacionamentos, a divisão de tarefas foi acordo do casal. Em outros, foi pressão. Em outros, foi falta de opção.

Mas uma coisa é verdade: mesmo quando alguém abriu mão de carreira por uma fase da vida, isso não pode virar licença para estacionar para sempre.

Se o relacionamento acabou, o foco precisa mudar do “quem destruiu minha vida” para “o que eu vou construir daqui pra frente”.


Sinais de que a pessoa está presa na narrativa de vítima

Alguns sinais são bem claros:

  • Vive recontando a história, como se precisasse convencer o mundo.

  • Não planeja o futuro; só revisita o passado.

  • Depende do ex para coisas básicas, mas fala dele com ódio.

  • Evita trabalhar/estudar dizendo que “não dá”, sem tentar soluções reais.

  • Usa os filhos como justificativa para não evoluir (em vez de motivação).


O antídoto: autonomia e maturidade

Reconstruir a vida depois do divórcio não é glamouroso. É simples e trabalhoso:

  • organizar finanças,

  • procurar renda (mesmo que comece pequeno),

  • retomar estudos,

  • fazer terapia quando possível,

  • criar rede de apoio,

  • parar de terceirizar o destino.

Autonomia não nasce de motivação. Autonomia nasce de disciplina.


Um aviso final: quando o divórcio vira guerra, todo mundo perde

Quando uma pessoa fica presa na vitimização e na dependência, ela não prejudica só o ex — prejudica a si mesma e muitas vezes os filhos, que crescem vendo conflito, ressentimento e estagnação.

O fim de um casamento pode doer. Mas ele não precisa virar sentença.

Você pode ter sido ferida — mas precisa viver ferida para sempre? Fica uma reflexão.

 
 
 

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Acredito que o jornalismo vai além da notícia: é sobre contexto, empatia e responsabilidade. Aqui, cada texto é um convite à reflexão, à troca de ideias e à busca por uma compreensão mais ampla do que acontece ao nosso redor.

Ana Oliveira

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Acredito que o Direito vai além das leis: é sobre pessoas, dignidade e justiça. Cada caso é uma história única, que merece atenção, empatia e técnica. No meu trabalho, busco unir firmeza e sensibilidade, transformando o conhecimento jurídico em resultados concretos e humanos.

Mais do que defender causas, meu propósito é proteger pessoas.

Dr. Rafael Leon

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