Quando a culpa vira muleta: o dia em que você decide parar de culhar o ex e começar a crescer
- Ana Olliveira
- há 5 dias
- 3 min de leitura
Tem uma armadilha silenciosa que prende muita gente no mesmo lugar por anos: transformar o ex em responsável por tudo.
Não é sobre “passar pano” pra erro de ninguém. Às vezes houve, sim, dor, negligência, mentira, imaturidade. Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer o que aconteceu e fazer da história um palco eterno, onde você é sempre a vítima e o outro é sempre o vilão.
Porque quando a culpa é sempre do outro… você não precisa mudar nada.E isso parece confortável — até você perceber que está parada, repetindo as mesmas frases, as mesmas queixas, as mesmas versões, e chamando isso de “verdade”.
O vício de culpar: parece força, mas é prisão
Falar mal do ex dá uma sensação imediata de alívio.É como se cada crítica fosse um jeito de dizer: “eu estou certa, eu mereço compaixão, eu não falhei”.
Só que esse alívio dura pouco. E o preço é alto:
você entrega a sua paz na mão do outro
você dá ao outro o poder de “definir” seu humor
você fica presa no passado, mesmo dizendo que seguiu em frente
Quem vive apontando o dedo, não tem as mãos livres pra construir.
“Ele destruiu minha vida” — ou você está adiando sua responsabilidade?
Existe uma parte dura, mas libertadora, da vida adulta: responsabilidade não é culpa.
Responsabilidade é admitir:“Isso me feriu. Mas a partir de agora, eu escolho o que faço com isso.”
Porque ninguém cresce de verdade enquanto repete:
“não consigo por causa dele”
“não evoluí por causa dele”
“não trabalho por causa dele”
“não estudei por causa dele”
Pode ser que você tenha passado por muita coisa. Mas se hoje você usa isso como justificativa para ficar estagnada, você não está sendo protegida — você está se sabotando.
O autoengano da “traição” que não é só do outro
Às vezes, a traição mais profunda não é uma terceira pessoa.É quando você se trai:
trai seus sonhos, parando de tentar
trai sua dignidade, mendigando validação
trai sua maturidade, atacando para não encarar
trai seu futuro, vivendo de passado
E aí fica mais fácil dizer “fui traída” do que dizer:“eu me perdi de mim”.
A pergunta que muda tudo é: o que você está tentando evitar sentir quando decide atacar?
Manchar a imagem do outro não limpa a sua dor
Falar mal do ex para amigos, família, redes sociais, grupos… pode até render apoio.Mas apoio não é cura.
O que cura é encarar o que ninguém vê:
sua insegurança
seu orgulho
sua necessidade de estar certa o tempo todo
sua dificuldade de pedir desculpas
seu medo de recomeçar do zero
E aqui vai uma verdade simples: se você precisa destruir alguém para se sentir melhor, você não está bem.
O espelho: três perguntas que separam maturidade de repetição
Se você realmente quer virar a página, responda com honestidade:
Qual foi a minha parte nisso? (mesmo que pequena)
O que eu faço hoje que piora a situação? (palavras, provocação, manipulação, exposição)
O que eu posso fazer diferente a partir de agora? (ação real, não discurso)
Quem amadurece não é quem “vence” a narrativa.É quem muda o comportamento.
O que uma mulher forte faz quando a relação acaba
Mulher forte não é a que grita mais alto.É a que assume o volante da própria vida.
Ela:
para de disputar “quem sofreu mais”
escolhe terapia, estudo, trabalho, rotina
aprende a se sustentar emocional e financeiramente
protege a própria imagem com postura (não com ataque)
entende que dignidade vale mais do que aplauso
E principalmente: ela não usa o ex como desculpa para não crescer.
Se existe filho no meio, a maturidade vira obrigação
Quando há criança envolvida, a regra é simples:o conflito dos adultos não pode virar veneno na vida do filho.
A criança não tem que carregar:
indiretas
humilhações
chantagens emocionais
desqualificação de pai ou mãe
brigas repetidas
Se você ama seu filho, a pergunta não é “como eu ganho essa guerra”.É: como eu paro de produzir trauma?
Conclusão: você quer estar certa… ou quer ser livre?
Você pode continuar alimentando essa história por anos.Pode continuar apontando, acusando, repetindo versões, buscando plateia. Ou pode fazer o movimento que assusta, mas salva:
olhar no espelho, admitir sua parte, e mudar. Porque o dia em que você para de culpar o ex por tudo, você faz algo poderoso:você devolve a si mesma o comando da sua vida.
E isso, sim, é recomeço.



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