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Quando a dor vira espetáculo: um convite ao silêncio que cura

  • Foto do escritor: Ana  Olliveira
    Ana Olliveira
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Existe um tipo de sofrimento que não pede ajuda — pede palco.Ele se alimenta de versões, de acusações, de “testemunhas” e de aplausos discretos.Por fora, parece força. Por dentro, é apenas ferida aberta tentando provar que tem razão.

Mas a verdade é simples: quem está em paz não disputa narrativa — segue.

Este texto não é para “ganhar” de ninguém.É para lembrar que, depois de um fim, ainda existe um caminho: o da dignidade.E, quando existe um filho, existe algo maior do que qualquer briga: a infância dele.

Dor não dá direito de ferir


Separação dói. Rejeição dói. Frustração dói.Mas nenhuma dor autoriza humilhar, expor, provocar, rebaixar ou usar o outro como alvo.

E aqui entra um ponto importante: Saúde mental não é vergonha.Mas também não é salvo-conduto para machucar os outros. Um transtorno pode explicar comportamentos — não justificar agressões, perseguições, difamações ou a repetição do caos.A cura começa quando a gente troca a desculpa pela responsabilidade.


A vítima permanente perde o próprio poder


Quando alguém escolhe viver como “coitadinha” para sempre, duas coisas acontecem:

  • ela ganha atenção por um tempo

  • mas perde respeito no longo prazo — inclusive por si mesma

Porque o papel de vítima tem um preço: você entrega o controle da sua vida nas mãos do culpado que inventou. Enquanto você insiste em provar que o outro “destruiu tudo”, você deixa de olhar para o que realmente importa:

  • O que eu errei?

  • O que eu preciso tratar?

  • Por que eu repito esse padrão?

  • O que eu ainda quero reconstruir em mim?

Ninguém amadurece enquanto vive de plateia.


Filho não é escudo, nem arma, nem mensageiro


Criança não nasceu para carregar a guerra emocional dos adultos.

Toda vez que um filho é usado para:

  • atingir o pai ou a mãe,

  • testar lealdade (“você prefere quem?”),

  • ouvir acusações,

  • ser humilhado para aliviar a raiva,

…o que se planta é insegurança, culpa e confusão.

Coparentalidade não exige amizade. Exige maturidade.E maturidade, muitas vezes, parece “silêncio” — mas é proteção.


Quem precisa expor muito, geralmente está tentando esconder algo de si


Quando alguém precisa repetir a mesma história para amigos, família, redes sociais e conhecidos, é comum que esteja tentando não encarar uma verdade interna:

  • “Eu não fui perfeita.”

  • “Eu também contribuí.”

  • “Eu não sei lidar com abandono.”

  • “Eu não estou bem.”

  • “Eu preciso de ajuda.”

Não é fraqueza admitir isso.Fraqueza é continuar se humilhando, rastejando por validação e chamando isso de “justiça”.

O recomeço começa com três decisões


1) Parar de falar do outro

Quem vive apontando o ex vive presa nele.Silêncio não é submissão — é liberdade.

2) Buscar tratamento de verdade

Terapia, psiquiatria quando necessário, rotina, acompanhamento sério.Sem romantizar crise, sem usar diagnóstico como desculpa.

3) Construir uma vida que não dependa de conflito

Trabalho, projetos, autocuidado, fé (se fizer sentido), amizades saudáveis.Uma vida que não precise de briga para se sentir viva.


Um lembrete realista (e importante)

Acusações públicas, mentiras e exposição podem virar consequências — sociais e até legais.Mas mais duro do que qualquer consequência externa é isto:

o tempo sempre revela quem vive de ruído e quem vive de coerência.


Para refletir, com honestidade

  • Eu estou protegendo meu filho ou usando meu filho?

  • Eu quero paz… ou eu quero vencer?

  • Eu estou buscando cura… ou atenção?

  • Eu tenho coragem de me responsabilizar pela minha parte?

A paz não chega quando o outro “paga”.A paz chega quando você decide parar de se diminuir.

Quem está em paz com a própria consciência não precisa ferir para provar nada.Há quem viva de acusações — e há quem viva de postura.O essencial não grita: permanece.E o tempo, sempre justo, cuida do resto.


 
 
 

Comentários


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Acredito que o jornalismo vai além da notícia: é sobre contexto, empatia e responsabilidade. Aqui, cada texto é um convite à reflexão, à troca de ideias e à busca por uma compreensão mais ampla do que acontece ao nosso redor.

Ana Oliveira

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Acredito que o Direito vai além das leis: é sobre pessoas, dignidade e justiça. Cada caso é uma história única, que merece atenção, empatia e técnica. No meu trabalho, busco unir firmeza e sensibilidade, transformando o conhecimento jurídico em resultados concretos e humanos.

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Dr. Rafael Leon

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